sábado, 17 de maio de 2014

Black

E todos os meus arrepios,
a única coisa que me aconchega
e essa fumaça que rola por entre
meus dedos, e solto pela boca.
O sentir que afável é o cheiro do cigarro,
a única marca que me leva e eleva,
me retornando ao aconchego de me sentir
em casa.
Essa fumaça a rodopiar em direção a lua,
esse cheiro que preenche o pulmão
em dia de chuva.
Que controla o descontrole,
quando me vejo nua e crua.
É uma praga, é o que me alivia
nessa batida maluca.
De todas as recordações,
o que me aconchega é o cheiro dessa fumaça,
é esse cheiro de vó.
Lembrança de colo,
proteção.
E cada arrepio de inconstância que
me toca, ascendo-te e deixo rolar por entre
meus dedos.
Fixando assim esse cheiro, na minha memória,
meu cabelo, meu corpo inteiro.
Sobe a fumaça de encontro a lua,
tapando as estrelas.
A minha verdade nua, crua.
Mas isso que me impregna é a leveza,
e a fumaça pesada.
É a pá e o cal o meu cimento,
a minha boleta sem água.

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