sábado, 17 de maio de 2014

Estar só novamente,
e passar o dedo no pó,
na poeira que deixou seu rastro,
o rastro de um amor.
Desamado, desalmado.
Em fotos enfatizadas,
momentos que se torceram,
e me contorceram até a ultima lagrima.
Como amor.?
Quando amor.?
Quem amor.?
Aonde amor.?
Aonde amou-se.?
Quem amou.?
Tantas perguntas com pontos finais
antes da interrogação.
Sem resposta, ou com respostas que me cegaram
esvaecida, cega.
Desespero, de me inventar um conto,
e não saber as beiras e cercas.
Me perdi, perdi-me, sem saídas,
o pó que aqui resta essa poeira em baixo do tapete,
eu não consegui limpar de vez.
Escondi um restinho pra não varrer de vez,
não quero varrer essa memória que assombra,
e me ronda, mas que em lapsos me fez feliz.
Me arrastou por essa estrada de chão batido,
nesse encanto, desencantado.
Mas essa coisa de sentir-me assim seca,
que me nutri.
Aonde não palpável,
não toco, nem ouço.
Apenas sinto se esmagar por entre os dentes meus,
essa vontade subtendida de trazer algo, e alguém.
Que se um dia á tive, teve-me.
E hoje quem me tem sou eu.
Em baixo desse tapete, ficaram
as memórias em pó.
   

Black

E todos os meus arrepios,
a única coisa que me aconchega
e essa fumaça que rola por entre
meus dedos, e solto pela boca.
O sentir que afável é o cheiro do cigarro,
a única marca que me leva e eleva,
me retornando ao aconchego de me sentir
em casa.
Essa fumaça a rodopiar em direção a lua,
esse cheiro que preenche o pulmão
em dia de chuva.
Que controla o descontrole,
quando me vejo nua e crua.
É uma praga, é o que me alivia
nessa batida maluca.
De todas as recordações,
o que me aconchega é o cheiro dessa fumaça,
é esse cheiro de vó.
Lembrança de colo,
proteção.
E cada arrepio de inconstância que
me toca, ascendo-te e deixo rolar por entre
meus dedos.
Fixando assim esse cheiro, na minha memória,
meu cabelo, meu corpo inteiro.
Sobe a fumaça de encontro a lua,
tapando as estrelas.
A minha verdade nua, crua.
Mas isso que me impregna é a leveza,
e a fumaça pesada.
É a pá e o cal o meu cimento,
a minha boleta sem água.

terça-feira, 13 de maio de 2014

Simples

E por ser minha fiel acompanhante e sentir além do que vejo,
me sentir até a ultima gota,
tenho essas manias de Martha, de Clarice, Fernando.
E como uma qualquer,
como qualquer pessoa, me comovo com o choro compulsivo,
a minha delicadeza atrai a minha voracidade espanta.
Sou meio bicho, meio indefesa,
mas confesso que a minha fera é livre e solta,
e não aconselho a mexer com ela.
O caminho é doce o vento que paira é veemente sentido,
não me perturbe se não souber lhe dar com as minhas tempestades.