quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Chove Lágrimas

O cheiro que me vem ao cair da chuva lá fora,
me traz as lembranças da época de inocência,
quando ao temer segurava na mão de um adulto
e tudo era seguro.
A doce pureza que me aquecia, uma mão apenas
ainda me protegia, um colo quente e um afago
bastavam.
Em uma intensa mudança, em um encaixe torto
me diferenciei de tudo, nem mãos nem afagos
nada me protege agora.
No tempo de garotinha doce e meiga
de bonecas eu já não era bem quista
um doce pura e com os olhos tristes.
Transbordava amor carinho a melancolia
de uma menininha frágil,
uma mudança total a aparência enganou
a todos.
As respostas chegam avassaladoras,
todas as palavras ditas fazem sentindo
eu sou a filha de um amor inventado
de uma intensidade coisa do momento.
Nascida em tempos errado, fascinada pelo
diferente, querendo o novo,
sempre cada vez mais a inspiração surge de algo
novo distante de mim.
Em um simples olhar, um dizer tudo se transforma
em histórias versos palavras.
Opinião forte, gênio difícil, meiga, doce, insegura,
louca, intensa, amorosa, carinhosa, carente..
Enfim tantas em uma só, gosto de tanta coisa,
tenho tantos amigos diferentes, pessoas que passaram
por minha vida.
Cada voz, cada cheiro, cada gesto as marcas de um olhar;
aos relâmpagos e trovões a chuva ainda cai lá fora,
sozinha com lágrimas de saudades.
Convicta em um querer em saber e aceitar quem sou,
em poder dizer que sou liberta livre da mesmice,
agora hoje no aqui por mais que as vezes doa me fira sangre
eu não quero ter as mesmas mãos a me segurar e proteger.
Sozinha um tapa na cara levei, engoli a seco aos engasgos
uma admiração, tudo vai se perdendo e eu vou me achando,
entre os cacos de vidro quebrados no chão.
Os meus cacos meu coração de vidro.
Me fizeram frágil e ao mesmo tempo forte
me inventaram complexa demais.
Uma garotinha que acredita no amor
uma mulher que teme o futuro.
E foram tantas as marcas
e me faço poeta e com todo o esplendor,
eu ainda sei amar o amor mais doce
habita esse peito alfinetado judiado.
Chuva, ainda continua lá fora
e aqui dentro também chove
lágrimas de olhos tristes.








terça-feira, 23 de novembro de 2010

Novembros

Novembro trouxe o cheiro
que me faz inalar uma nova vida,
me recorda tempos e retoma as saudades
de algo logo ali.
Os perfumes marcantes desse mês gritante
que me traz o sabor de uma nova vida,
memórias de aguas tempo quente intenso.
Vivi um doce novembro, me perdendo entre
sonhos e me descobrindo na verdade quem sou.
Marcado em cada pedaço do meu corpo nu
a verdade cruamente dita em uma descoberta
sensacional.
Quando quis revelar-me a todos
não pensei duas vezes e com tamanha
intensidade o fiz.
Quem eu era fico em uma lembrança boa,
me agrega ainda em partes
sou tão melhor agora nesse novembro.
Vivo aqui um novembro com sabor
um sabor mais cítrico talvez nada doce demais,
além das doces vontades que ainda preservo.
Foi um grito nesse mês,
arrebentando meu peito
coloquei pra fora tudo mais uma vez.
Intensifiquei outra vez minha passagem
o quão quente e ardente sou
me mordendo por dentro
falando com gestos,com minhas mãos.
Marca-me de novembros,
intensos, únicos e vibrantes,
aonde eu possa ser eu
intensamente ardente.




quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Doce,Macio!

Querer estar só por estar sozinha,
fugir, perder-me na estrada.
Sumir aos poucos, enquanto a agua escorre
pelo vidro da janela.
Depois de uma chuva só resta
o cheiro de terra molhada.
E a grama molhada, por meus pés
descalços nela senti-los umidos.
Úmidos tão quão meus olhos
respirar um viver o sonho que sonhei
sozinha, mas pra viver a duas.
Tocar uma bela face,
com cheiro doce gosto do macio.
Venerar contemplar um rosto
amassado do travesseiro de manhã.
Querer o simples por do sol
magnifica manhã.
Querer sentir o cheiro de vida,
cheirinho de vida gosto do puro.
O cheiro de vida tem mãos pequenas
pele rosada.
Querer ter alguém por estar sozinha,
querer os sonhos lindos e coloridos.
Enfim borboleta voa atrás dos teus sonhos,
do cheiro doce da tua vida.


domingo, 14 de novembro de 2010

VOMITEI ESSE SANGUE

Quando escolhemos, o sangue já não significa
absolutamente nada.
Já não faz parte do show ridículo,
teatrinho falso de mentiras que
cansei de ouvir.
Regojitando laços toda minha vida,
vomitando todo esse sangue.
Tirando de mim o podre
esse imundo que abomino.
Esse sangue escorre meu corpo
lavando a minha alma passando
por cada parte de mim.
O fluido sai lava tudo como agua
corrente.
O sangue percorreu e acabou no esgoto
no podre do escuro.
Gente mesquinha, sem valores
sem moral, os imorais.
Donos de uma verdade lúdica,
fracos inseguros.
Apontando defeitos procurando
os culpados.
Seres horrendos, sujos
pessoas que me fazem querer
cortar-me toda, tirar todo o sangue
poluído de dentro de mim.
Sangue um laço inventado
a mentira patética.
Gente nojenta, pessoas que repudio
náuseas sem fim.
O tormento infernal a insensatez,
se o tempo passou agora é tarde demais.
Tarde pra tentar solucionar tudo
aceitar já não os pertence mais.
Respeitar a todos agora isso é o que
tem de ser imposto uma ordem
um grito, não me calo diante dessa gente.
São podres, miseráveis sem alma,
ultrapassados, sem noção de valores.
Sangue escorre pelos meus olhos,
minha boca tudo sangra.
Sangue foi-se embora,
e só fico a certeza de que a
minha familia é mais que sangue.
Familia são aqueles que escolhemos
os que nos acolhem.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

MULHER

Mulher palavra forte
guerreira mulher.
Quando e onde se fez mulher
Não gosta de meio termo
o morno não a atrai.
Gosta de chuvas quentes
sol gelado.
É um extremo não contrarie.
Perfeição com erros
se permite sempre.
Tenta cai segue e luta
mulher carente.
Em uma busca,
quer viver um amor.
Quer escolher um amor
só que quer ser escolhida.
Confunde-se, acha-se,
perde-se atreve-se.
Símbolo de grandeza
uma racionalidade
suas loucuras.
Encara a vida de forma surreal
as vezes quer somente esconder-se.
Fechar-se dentro de si mesma
e permanecer ali.
Não, jamais indiferente
o calor do corpo te aquece.
Mulher quente intensa
outra vez não gosta do morno.
Ardentemente desejos febris
a alma incendeia.
Friamente dor mortal
a alma ferida.
Mulher atrevida, ergue a cabeça
peito cheio de coragem.
Uma borboleta que voa
ao encontro de alguém.
Sensível mulher palavras belas,
otimista.
Aonde quando se encontrou mulher,
tão singular única.
Mulher quem te atrai mulher.
O doce de venerar a outra mulher,
magnifica se faz tão feminina.
Pois sabe que é mulher,
fere-se facilmente.
Todos tendem a magoa-lá,
incompreendida, um poço
de ternura.
Brava queima com injustiça,
age pelo certo o correto.
Tão mulher aflora o instinto
mãe, são crianças.
Mulher do olhar perdido,
palavras doces de mulher.









terça-feira, 9 de novembro de 2010

Seco!

Quem te permites isso?
Porque me secaste?
Porque sangrou minha alma
e feriu-me tão brutalmente?
Eu só permiti entrar e tu fez somente
o sair mais e mais.
Seca-me os olhos, a boca
o peito.
Nada resta meu corpo já
não é úmido não te aquece
e nem me aquece o suficiente.
Meu corpo é um somente um,
sozinho.
Nossos corpos eram dois
no encaixe de um só.
Secou e sugou-me todos os fluidos
até a ultima gota.


Carência sensacional

Hoje quem me abraça és tu carência
infernal, solidão sensacional.
Uma comédia se transforma
em drama, e faz nascer
lágrimas.
Olhos que choram, e choram
e de tanto chorar eles,
choram também no silencio.
E no oculto as vezes sem nem lágrimas
a derramar.
Perde-se o que exatamente?
As procuras as razões e motivos
pra saber viver!?
Um abraço acolhedor
o calor de um querer somente isso.
Não quero te rejeito e tu insiste em
abraçar-me carência,
carente de um querer.




quinta-feira, 4 de novembro de 2010

GRITO!

Meu corpo grita ele não se conforma,
conformismo já não é o bastante pra essa era.
Revoltante repulsivo, meu corpo esta berrante
irrelevante com tudo isso.
Com todos nessa sociedade imunda
vulgar, cheia de misérias.
Pessoas miseráveis, uma miséria
de alma de carne, de calor humano.
Não há mais o toque nem se sabe
onde a cordialidade ficou.
Estão amarrados uns aos outros
o podre, tudo se extirpou.
Até quando meu Deus!?
Meu corpo grita, fala
minha boca se calou diante
de tanta injustiça a nós
seres humanos.
Quem somos mesmo!??
Humanos será que ainda somos,
dignos de sermos chamados assim??
Quando e aonde ficou nossa humanidade?
Tal qual a nossa compaixão?
Onde eu não vejo!? meus olhos
bem abertos, não veem nada além
de uma insensatez.
Meus ouvidos eles ainda ouvem,
esses sim estão funcionando
muito bem.
E já doem, de tantos gritos em um silêncio
de um tempo, que já não poderia
ser de total indiferença como se faz agora!


quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Veneno Doce!

Tarde curiosa, escura as sombras,
um veneno uma tentação.
O inevitável já estava acontecendo
correndo contra o tic tac do relógio
antigo.
Querendo um novo sabor pra vida,
provar a qualquer custo um gosto
apenas o saborear.
Enfim chegou o momento
uma tarde atípica, o vento era mais
forte que o meu corpo.
Levemente ele se encontrava insano
naquela hora as sombras me levaram.
O meu ser curioso então descobriu..
um novo sabor, saboreio ele
gosto doce enganando-me.
Gosto doce de um veneno
fortemente alucinante.
Bebi desse veneno chamado..
chamado amor, agora meu coração..
contaminado clama por um alguém.