me traz as lembranças da época de inocência,
quando ao temer segurava na mão de um adulto
e tudo era seguro.
A doce pureza que me aquecia, uma mão apenas
ainda me protegia, um colo quente e um afago
bastavam.
Em uma intensa mudança, em um encaixe torto
me diferenciei de tudo, nem mãos nem afagos
nada me protege agora.
No tempo de garotinha doce e meiga
de bonecas eu já não era bem quista
um doce pura e com os olhos tristes.
Transbordava amor carinho a melancolia
de uma menininha frágil,
uma mudança total a aparência enganou
a todos.
As respostas chegam avassaladoras,
todas as palavras ditas fazem sentindo
eu sou a filha de um amor inventado
de uma intensidade coisa do momento.
Nascida em tempos errado, fascinada pelo
diferente, querendo o novo,
sempre cada vez mais a inspiração surge de algo
novo distante de mim.
Em um simples olhar, um dizer tudo se transforma
em histórias versos palavras.
Opinião forte, gênio difícil, meiga, doce, insegura,
louca, intensa, amorosa, carinhosa, carente..
Enfim tantas em uma só, gosto de tanta coisa,
tenho tantos amigos diferentes, pessoas que passaram
por minha vida.
Cada voz, cada cheiro, cada gesto as marcas de um olhar;
aos relâmpagos e trovões a chuva ainda cai lá fora,
sozinha com lágrimas de saudades.
Convicta em um querer em saber e aceitar quem sou,
em poder dizer que sou liberta livre da mesmice,
agora hoje no aqui por mais que as vezes doa me fira sangre
eu não quero ter as mesmas mãos a me segurar e proteger.
Sozinha um tapa na cara levei, engoli a seco aos engasgos
uma admiração, tudo vai se perdendo e eu vou me achando,
entre os cacos de vidro quebrados no chão.
Os meus cacos meu coração de vidro.
Me fizeram frágil e ao mesmo tempo forte
me inventaram complexa demais.
Uma garotinha que acredita no amor
uma mulher que teme o futuro.
E foram tantas as marcas
e me faço poeta e com todo o esplendor,
eu ainda sei amar o amor mais doce
habita esse peito alfinetado judiado.
Chuva, ainda continua lá fora
e aqui dentro também chove
lágrimas de olhos tristes.