segunda-feira, 28 de abril de 2014

Cilada

Tão inigualável essa distancia,
incomum seria, se não fosse
tão comum essa saudade.
Saudade que vem a toa,
que vem do cheiro que não há,
da roupa e do toque que não se tem.
Do transito que não te traz,
das ruas que não te alcançam,
e me golpeiam.
De um merecimento não merecido,
um merecer não contemplado.
Justo essa sensação de preencher
meu peito, essa lacuna que o vento
insiste em percorrer.
A voz do fim da tarde,
o aconchegar de cada noite.
Seria tão inquestionável essa
mania saudosa de sentir você tão
perto e longe de mim.
Cada brecha que se abre,
cada lacuna que se arromba mais e mais.
Não sei aonde vou e o que faço,
quando meus caminhos te procuram.
E nenhum traz á ti,
incessantemente persisto no meu erro.
Titubeando em uma atmosfera,
em beira do mar.
Inigualável essa distancia,
de corpos.
Fugindo de ti eu estaria,
mas agora que já o fiz.
Fujo e fujo só que do meu coração.

Mover

Troquei o sol e a lua de lugar,
movi todos os moinhos,
soprei meu vento com a alma,
e nessa esfera tão distante
tua ausência paira no meu ar.
Nenhuma tempestade arranca
essas folhas com teu nome
do meu peito.
A minha árvore já secara, as folhas
caíram no chão.
Mas me rodeiam,
como uma cantiga de roda.
A zombetear no pé do meu
ouvido.
E tamanha catástrofe se
prontifica no meu solo,
meu chão.
Quilômetros, não bastariam!?
Tola, movi mundos, fundos,
identidade, endereço,
esqueci que eu me acompanhava.
E de mim eu ainda não estaria
distante.
Esqueci de deixar meu eu em um
canto qualquer.
Tola movi, o sol e a lua.
E nenhuma tempestade
vai esvair tantas folhas envoltas
de mim.   

terça-feira, 8 de abril de 2014

Morno

E isso tudo vem abruptamente
e me atravessa,
transpassa qualquer sentido.
E eu não posso mais sentir,
meu peito o tiraria aqui e agora
atiraria no mar.
Cerraria meus olhos,
e me atiraria ao mar junto
do meu peito.
Ando lado a lado
dele.
Meu pobre e infeliz,
vim com pá e terra.
E sem nenhuma força,
mas estaria disposta a enterrar
meu peito.
Tudo o que sinto,
te sinto.
Essa solidão que não finda,
que me finda.
Fugindo desse laço,
que deu um nó de marinheiro.
E a chuva escorre alma a dentro,
e tantos carros correm lá fora.
E cada gesto abrupto que me recordo
me deixam mais firme.
Mas não consigo te esquecer,
aqui e agora.
A minha fechadura se perdeu
das chaves.
O que eu faço com tudo
que tenho aqui dentro de mim.
A vida se foi,
e eu ainda fiquei aqui.
Me arrancaria o peito,
e não te sentiria mais.
Lançaria-me com todo
o dessabor do amor.
Me esfria.
Eu tão quente.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Migalhas

Dessas tais migalhas vivi,
ou fingi viver.
Eu mendigando, mendigar,
era uma palavra bem usada,
conjugada.
E me senti feliz com migalhas
por inúmeras vezes,
então o sorriso se esvaiu,
passou a ser passageiro.
E não consigo entender,
se sorrir me faz feliz,
ou olhos tristes a te velar
me enchem de algum jeito.
Me enchem de um vazio,
por não sorrir,
me enchem de sorrisos mornos,
cálidos por não saber não ter-te.
Meio passarinho, comendo
migalhas, mas sem asas, podadas.
Vivendo de um regurgitar.
Migalhas, mendigos, passarinhos,
um ecoar.
O que será felicidade,
admiração.
Expert em conjugar tantos verbos,
usar, mendigar..
E minhas interrogações não se findam
me auto deprecio.
E ao mesmo tempo raiva só sei sentir,
por não depreciar-me.
Desconexo, olhos bem abertos,
mas se desse gostaria de os fechar.
Esse tapa de luva, que insisto
em chamar de amor.



Suplico

E quanta mentira se jogou, lançou por cima de mim,
quantas verdades acomodadas se lançaram no ventilador.
E os ventos trazem essa velha lembrança,
que se emaranha num mar de saudades,
com raios de inquietude.
Um raio de sol incandescente,
poderia adentrar minha memória
e queimar meus arquivos.
Cada vírgula, frases, esse milimetro e meio
que cabe em cada canto meu, de você.
E o que me resta é tentar não tripudiar em cima
das minhas marcas.
Pelas tuas falhas, por cada navalha.
E tudo que era importante,
se torna uma mera e reles coisinha.
Mas essa coisinha me atormenta tanto,
a cada instante que pisco meus olhos.
Que respiro no ultimo das forças.
E tanta mentira, se lançou,
por um ato covarde.
E toda essa insignificância forjada,
me arrebenta.
Não suplico um sussurro,
eu queria eram gritos que não se calassem.
Mas teu sussurro me grita e não se cala.
E serenamente peço-te cala-te
diante de mim.