segunda-feira, 28 de abril de 2014

Cilada

Tão inigualável essa distancia,
incomum seria, se não fosse
tão comum essa saudade.
Saudade que vem a toa,
que vem do cheiro que não há,
da roupa e do toque que não se tem.
Do transito que não te traz,
das ruas que não te alcançam,
e me golpeiam.
De um merecimento não merecido,
um merecer não contemplado.
Justo essa sensação de preencher
meu peito, essa lacuna que o vento
insiste em percorrer.
A voz do fim da tarde,
o aconchegar de cada noite.
Seria tão inquestionável essa
mania saudosa de sentir você tão
perto e longe de mim.
Cada brecha que se abre,
cada lacuna que se arromba mais e mais.
Não sei aonde vou e o que faço,
quando meus caminhos te procuram.
E nenhum traz á ti,
incessantemente persisto no meu erro.
Titubeando em uma atmosfera,
em beira do mar.
Inigualável essa distancia,
de corpos.
Fugindo de ti eu estaria,
mas agora que já o fiz.
Fujo e fujo só que do meu coração.

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