segunda-feira, 7 de abril de 2014

Migalhas

Dessas tais migalhas vivi,
ou fingi viver.
Eu mendigando, mendigar,
era uma palavra bem usada,
conjugada.
E me senti feliz com migalhas
por inúmeras vezes,
então o sorriso se esvaiu,
passou a ser passageiro.
E não consigo entender,
se sorrir me faz feliz,
ou olhos tristes a te velar
me enchem de algum jeito.
Me enchem de um vazio,
por não sorrir,
me enchem de sorrisos mornos,
cálidos por não saber não ter-te.
Meio passarinho, comendo
migalhas, mas sem asas, podadas.
Vivendo de um regurgitar.
Migalhas, mendigos, passarinhos,
um ecoar.
O que será felicidade,
admiração.
Expert em conjugar tantos verbos,
usar, mendigar..
E minhas interrogações não se findam
me auto deprecio.
E ao mesmo tempo raiva só sei sentir,
por não depreciar-me.
Desconexo, olhos bem abertos,
mas se desse gostaria de os fechar.
Esse tapa de luva, que insisto
em chamar de amor.



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