sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Minha Musa

Estou me resgatando em mim,
pra mim.
E esse escalar de montanhas
tão difíceis e massacrantes,
tem se tornado uma recompensa
ardo-a, mas gratificante.
Nem sei ao certo,
mas me reencontrar em mim
depois de tantos anos
é avassalante.
É pura magia,
sem musas.
A minha musa sou eu,
é meu momento de rebolar
e apreciar o toque e o som
dos meus gestos.
Tão dificultosa essa chegada,
esse Everest dentro de mim
foi quase que um
subestimar de forças
a capacidade de ser eu.
Mulher e musa
do meu próprio enrendo,
do meu jogo triste,
da minha poesia cantada.
Meus detalhes não se
desapercebem em mim.
Eu uma eterna romântica,
apaixonei-me por mim.
Ao menos uma vez
vou me amar sem pressa,
sem hora.
Nessa dança do meu corpo,
quero me amar noite adentro.
Sentir o mais profundo
que posso chegar.
Reclusa dos movimentos
da vida.
Me nutri de mim,
e curei cada pedacinho.
Pronta pra outras,
e outras ciladas da vida.
E pronta pra amar,
me amo, e amo.
Deliberadamente, de todas as formas
que amor possa ser e se expressar.
Vã e glorificada essa dor pulsante,
que habitou dentro, a alma.
Soprei e lavei minha dor,
botei ao sol pra secar.
Ela se esvaiu,
sobrando em mim,
eu viva, firme.
Voraz.
Sem montanhas a escalar,
me abracei e me deixa ficar.

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